Comentário do dia: Bento XVI  

25/08/2020

Comentário do dia 
Bento XVI
papa   de  2005 a  2013
Audiência geral de 04/10/2006 (© Libreria Editrice Vaticana, rev)

Natanael-Bartolomeu reconhece o Messias, o Filho de Deus

O evangelista João refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se, exclama: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Trata-se de um elogio que recorda o texto de um salmo: «Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano» (Sl 32,2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração: «De onde me conheces?». A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira».

Não sabemos o que aconteceu debaixo desta figueira, mas é evidente que se tratou de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com as palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende: este homem sabe tudo sobre mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E, por isso, responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus.

As palavras de Natanael sublinham um aspeto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido, quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é o Filho Unigênito, quer na sua relação com o povo de Israel, do qual é proclamado Rei, qualificativo próprio do Messias esperado. Não devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes; porque, se proclamarmos apenas a dimensão celeste de Jesus, corremos o risco de O transformar num ser sublime e evanescente, e se, pelo contrário, reconhecermos apenas a sua situação concreta na história, acabamos por negligenciar a dimensão divina que propriamente o qualifica.