O Castelo Interior

Elisângela Salomon & Frei Patrício Sciadini

A OBRA DE SANTA TERESA DE JESUS

Em sua obra, Santa Teresa explica o mecanismo da alma considerando-a como um castelo, rodeado de aposentos, bem como no céu há muitas moradas. A porta para adentrar neste palácio é a oração.
No centro mora a Santíssima Trindade, que espera ansiosamente a alma que adentra a última morada, para ter com ela uma união íntima,. Matrimônio esponsal. É daí que a luz é irradiada, refletindo por todo o castelo. Quanto mais próxima do centro, mais a alma recebe esta luz.

A vida de Santa Teresa de Jesus

Elisângela Salomon

Grandes acontecimentos marcam o século XVI, a reolução protestante, a descoberta das américas e a fundação de grandes ordens religiosas. Embora haja este cenário revolucionário marcado por heresias e guerras, temos uma figura única, uma espanhola, a qual o próprio Deus quis entregar tudo de "mão beijada".

A espanhola é Santa Teresa de Jesus, ou Teresa D'Ávila. O que podemos pensar de uma mulher cuja à Santíssima Trindade revelou todo mecanismo da Alma? Uma mulher que amou e foi amada de tal maneira que soube detalhar com maestria como funciona a "engenharia da santidade".

Afinal, quem é Santa Teresa D'Ávila?

Parte 1

Parte 2

As Primeiras Moradas

Elisângela Salomon

A primeira morada é marcada como o início da vida espiritual, nela adentra a alma em estado de graça . A Alma, que adentra esta morada, é como um cristal, que não consegue refletir de maneira perfeita a luz que emana do salão central.
Segundo Santa Teresa, a alma ainda carrega consigo alguns bichos peçonhentos. Estes são as suas paixões e más inclinações que ficam presas à alma, ofuscando a luz recebida.
Dessa forma, é necessário que a alma vá se purificando por meio da oração, da penitência e da "determinada determinação" para que possa se limpar da lama do mundo exterior e começar a refletir a luz do centro do castelo. É assim que se inicia a jornada rumo às moradas interiores. 

Segundas moradas

Frei Patrício Sciadini

Nas segundas moradas estão as pessoas que começaram a ter oração e entenderam que não devem se demorar nos primeiros aposentos do castelo. No entanto, ainda não se determinaram a renunciar às ocasiões de pecado. Por isso, voltam muitas vezes às primeiras moradas e correm grande perigo.
De qualquer modo, já é imensa misericórdia terem compreendido que precisam abandonar as cobras e as outras criaturas peçonhentas. E, de vez em quando, se esforçam para fugir delas.
A medida que percebem mais claramente os chamamentos do Senhor, as pessoas destas segundas moradas vão se aproximando cada vez mais de onde está Sua Majestade.
A PERSEVERANÇA É O QUE MAIS IMPORTA NESTA MORADA! 

Terceiras moradas

Elisângela Salomon

  Aos que, por misericórdia de Deus, tenham vencido estes combates e, com perseverança, entrado nas terceiras moradas, o que podemos dizer, a não ser: Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor?


  A terceira morada é a última etapa dos iniciados. Onde estão aqueles que engatinham para alcançar o centro do castelo. A alma já consegue respirar em Deus, embora sua confiança ainda não é abandonada em Deus.

  Essas almas tem grande desejo de não ofender sua majestade, empregam bem o tempo, tem seus momentos de recolhimento e parece que não há motivos para que Deus as neguem o acesso para as outras moradas.
  Estas almas tem um projeto de penitência e de vida, mas não mudam estes projetos. A menor mudança em sua rotina tendem a perder a paciência. Ainda lhes falta a humildade para saber atender a estes momentos em que lhes é exigida a caridade e para um melhor discernimento da vontade de Deus. E também para não se acharem superiores as outras almas Deus quer mostrar para a alma que o que realmente importa é a sua vontade e que a proposta para esta alma é a sua purificação dos apegos mundanos Segundo Santa Teresa, estas almas já tem em suas mãos o que precisam para ser Santas.

Quartas moradas

Frei Patrício Sciadini & Elisângela Salomon

    AS QUARTAS MORADAS SÃO O INÍCIO DA VIDA MÍSTICA.
A partir daqui todo avanço é graça de Deus, pois a partir desta morada a Alma não progride por suas próprias forças, mas é o Senhor que a introduz nas próximas habitações.
   Nesta morada Santa Teresa explica a diferença entre os consolos e os gostos na oração, pois a alma quando adentra nas quartas moradas já tem uma vida de oração forte.
    Os consolos reportam à oração de recolhimento e os gostos à oração de quietude.
    Aqueles bichos peçonhentos, que acompanharam a alma nas moradas anteriores, podem até entrar nesta morada junto com a Alma, mas nem a imaginação, nem as pestes nem estes bichos podem fazer mal à alma.
O que pode acontecer nesta morada é que a alma tenha algumas tentações (resquícios do homem velho). Com isto a alma aprende que é melhor sofrer essas tentações confiando em Deus do que confiando em si mesma.
A regra nesta morada é a Humildade. 

Parte I - Frei Patrício Sciadini

Parte II - Elisângela Salomon

Quintas moradas

Frei Patrício Sciadini

   Nesta morada, Santa Teresa afirma a necessidade do desapego total de si.
Usa como alegoria a imagem do bicho da seda que precisa passar por uma metamorfose, morrer como lagarta e ressurgir como uma bela borboleta.
Santa Teresa explica a necessidade do desapego e a importância da dedicação a Deus e ao próximo.
   Santa Teresa também explica que nesta morada acontece um pré desponsório de Deus com a Alma.
   Trata-se de visitas de Deus à alma. O Senhor deixa a alma conhecê-Lo e dá-se conhecer a Alma.
   Ali a alma experimenta, apesar de que seja pouco, como é estar unida ao divino esposo.
   Esta morada caracteriza-se pela oração de união (segundo grau da oração mística).
  A regra para esta morada é uma extrema humildade, porque o demônio moverá todo o inferno para impedir que a Alma avance.

Sextas moradas

Elisângela Salomon


Nesta morada, Santa Teresa de Jesus aponta os sofrimentos do caminho espiritual. A autora guardou para este momento o assunto destes sofrimentos justamente para que os que estão percorrendo este caminho não desanimem.
A alma, na morada anterior, experimenta um pouco do que é estar com o Divino Rei. Por isso aguenta firme os sofrimentos existentes na sexta, e penúltima, morada.
Nesta morada acontece um real noivado entre Deus e a Alma.
Deus quer que a alma o ame muito mais para unir-se de modo perfeito à Ele nas sétimas moradas.
Alguns dos grandes sofrimentos nestas moradas são as incompreensões, difamações e acusações por parte daquelas pessoas que são próximas. A alma pode ser incompreendida até por seus confessores.
É nesta morada que temos o início dos fenômenos místicos. A alma começa a ter locuções interiores, arroubos entre outros fenômenos

Parte I - Elisângela Salomon

Parte II - Elisângela Salomon

Parte III - Elisângela Salomon

Parte IV - Elisângela Salomon

Parte V - Elisângela Salomon

Parte VI - Elisângela Salomon

Parte VII - Elisângela Salomon


Sétimas moradas

Frei Patrício Sciadini & Elisângela Salomon

Santa Teresa impelida por essa paz, afirma para suas irmãs que ao olhar uma alma que não está no castelo, que está atada pelo pecado mortal, não deixem de rezar por ela.

Para que não fiquem sem a luz, que ela menciona na primeira morada. Diz que é de grande caridade se elas puderem servir para estas almas famintas, um pouco do alimento que lhe é necessário. 

Teresa pede para que rezem por aqueles que fizeram penitência dos seus pecados e vivem em estado de graça, para que possam trilhar o caminho do Castelo Interior

Santa Teresa explica que Deus quando concede a graça do Matrimônio divino, primeiro introduz a alma em Sua morada, e desta vez não é como antes que ele apenas fazia pequenas visitas.  Ele une a alma intimamente a Ele.

A alma torna-se cega e muda, como o apóstolo Paulo em sua conversão. Pois grande é o deleite quando Ele a une a Si, que a Alma perde todas as faculdades.

Deus retira as escamas dos olhos da Alma e Se apresenta a ela, de modo intelectual.


Parte I - Frei Patrício Sciadini.

Parte II - Elisângela Salomon


BONUS I

Resumo das moradas - Elisângela Salomon

BONUS II

Para que serve este Matrimônio Espiritual

No último capítulo de sua obra, Santa Teresa responde a almas interrogações.


Explica que apesar de tão avançado estágio, a alma deve estar sempre vigilante. Aqui usa a imagem do Rei Salomão, que apesar de sua amizade com Deus Pôs tudo a perder.

Enfim, Teresa afirma que este matrimônio espiritual não serve para o deleite da alma, nem para seu próprio prazer. Isto seria mesquinhez e egoísmo.

O Fim deste caminho é a configuração perfeita com Cristo e Este crucificado, imitando-o totalmente, em sua vida, seus sofrimentos e sua doação.

Embora esteja encorajada pelas consolações de Deus a Alma está muito mais focada em satisfazer o seu Senhor.